Estranho …inquietante…ou questionador. Isso .. Essa é a descrição do meu dia ontem… De como ficou meu coração logo cedo. Acordei com um sol lindoooo… Mas algumas nuvens apareceram… E …um dia que seria como qualquer outro ensolarado, nasceram tantas dúvidas. Nasceram angústias, medos, aflições e certezas. Mas como pode? Pode sim… Nada é de propósito. Deus não dá a NINGUÉM uma carga mais pesada que a que podemos carregar… Isso é fato. Mas ele surpreende. Ahhhhh e como surpreende e assusta!!! Como água pode virar vinho e como tranquilidade vira dor??? EEEEE…pois é … Como ? Por que ? O que eu fizemos de errado é a pergunta nessas horas…. Naaadaaa ….A resposta é nada … Absolutamente naaaadaaaa….. São somente testes e amostras de que somos pessoas absolutamente fortes, até porque esses “testes” só são mandados pra pessoas que tem uma aura iluminada e a capacidade de absorver e transformar todo esse medo em força … em energia que … ENFRENTA… . QUE ELIMINA E ILUMINA TUDO QUE FOR DESTRUTIVO…. QUE CARREGA com a força da fé, com a energia positiva, com a crença de que algo muito maior faz mais sentido …como o amor de um filho, o companheirismo do marido e o aconchego cheio de amor dos amigos façam que tudo torne ao menos o peso mais leve… Que o fardo tenha que ser carregado… Mas pode ter CERTEZA … Vc tem quem vai estar ao seu lado pra ajudar….. EM TODOS OS MOMENTOS e na hora que ele mais pesar e eu não estiver por perto…. Meu coração está com vc !!! Te amo minha amiga!!! Você é GUERREIRA!! Força e fé…

Eu quis começar esse post com um post que minha amiga Pri fez pra mim na quarta-feira. É… A vida é assim… INCERTA.

Quarta- feira acordei como num outro dia qualquer. Sol, dia lindo, Duda de férias. Mesma foto do elevador. Carro, médico, tudo sempre igual. Mas um telefonema no meio da manhã mudou a minha vida. Ainda não sei dizer pra vocês a “profundidade” dessa mudança, mas sei dizer que eu nunca mais vou ser a mesma depois de 19 de dezembro de 2013.

Eu estava esperando o resultado da minha biópsia há 5 dias. Quem me segue há mais tempo sabe que eu já tinha uns nódulos desde abril, fiz biópsia inclusive, mas deram benignos. Em 6 meses os nódulos aumentaram de número e tamanho, eu refiz os exames e não tinha dado nada. Mesmo assim, uma intuição me dizia que tinha alguma coisa. A minha última RM era de setembro, de antes da maratona. Ela tinha dado Birads 3, ou seja, ATENÇÃO. Quando voltei de Berlim, eu pedi ao Dr Ronaldo que me desse um novo pedido de RM. Todo mundo me achando louca, o que apareceria em 2 meses de diferença de uma pra outra, mas nessa segunda veio Birads 4 e o pedido da biópsia. Eu deveria fazer uma novo RM só em março do ano que vem… E se eu não tivesse fincado o pé?

E na quarta, recebi o resultado por telefone através do meu médico: positivo pra câncer de mama. Eu não sei explicar pra vocês o que veio na minha cabeça aquela hora. Eu estava na sala de espera da minha dermato, com a Duda. Parei de sentir minhas pernas, comecei a chorar. Chorar copiosamente.Chorar e olhar pra Duda. E ela assustada, me abraçou e disse: “Mamãezinha, não chola”. A partir daí, esses dois últimos dias foram como se tivessem sido uma semana.

Eu não sei quantas perguntas passaram pela minha cabeça. Quantos sentimentos pelo meu coração. Eu xinguei, chorei, perguntei “n” vezes porque comigo. Perguntei “n” vezes que Deus é esse que te dá a vida e ao mesmo tempo te dá um câncer. Me perguntei o que eu ia fazer com a Duda. Com o Fabio. Com a minha vida. Por mais que eu pensasse que poderia receber uma notícia dessas, eu nunca estive preparada pra recebê-la. E quem está, né? Posso dizer pra vocês que é como se um caminhão passasse na sua cabeça e fosse embora sem você ao menos conseguir anotar a placa. Eu estava com a Duda, liguei pra Pri, contei e pedi que ela ficasse com ela pra mim.

O Fabio estava viajando, voltou na mesma hora. Fui direto pro meu mastologista, com o resultado da biópsia que não tive coragem de abrir. É incrível como a palavra CÂNCER tem um peso tão forte. É sempre associado à morte, sofrimento. Nessa consulta ele me explicou todo o procedimento: mastectomia bilateral, ou seja, tirar as duas mamas. Quimio ou radio, só vamos saber depois da cirurgia. Tudo vai depender de como estiver lá dentro. Eu tenho mais 11 nodulos, aparentemente todos benignos. Esse maligno, foi pego por um “erro” da médica que fez a biópsia. Foi pedida a biópsia de um, o mais superficial e maior, e ela acabou pegando um menor, escondido por de trás desse. Esse “escondido” é o tumor maligno. Mas, como tem esse maligno, a conduta é retirar tudo, até mesmo pelo meu histórico familiar.

Eu estava aérea. De lá fui direto pro plástico que me explicou o processo de reconstrução. Gente, eu fiz o que sempre falo pra ninguém fazer: Fui pro Dr Google > reconstrução > mastectomia. Eu vi tudo de mais bizarro que vocês podem imaginar. E não me venham com a conversa de que “ah, você tem que pensar na sua vida, em viver e só”. Não, não dá pra pensar em viver e só. Sou uma mulher de 38 anos. Sou ativa, sou esposa, sou vaidosa, gosto de me ver no espelho, de por meus decotes. Podem me chamar de fútil, mas o que eu vi, foi mutilação. E fiquei apavorada.

Passei dois longos dias atrás de um cirurgião plástico que me desse a confiança de que poderei levar uma vida normal. De que não vou precisar ter vergonha de estar pelada e acender a luz na frente do meu marido. De que vou poder me olhar no espelho, sem chorar toda vez que isso acontecer. O meu mastologista, me deu a segurança de que vou viver e o plástico me deu a segurança de que vou poder ter uma vida normal depois disso tudo. Se tudo der certo ( e VAI dar), rapidinho estou de volta a todas as coisas que amo fazer!

De quarta pra cá, eu tive altos e baixos. Quarta eu estava péssima. Eu não sabia de onde ia tirar forças pra enfrentar isso. Eu desacreditei que realmente exista um Deus – e me perdoem as pessoas mais religiosas. Eu xinguei, me revoltei, quase deixei o Fabio doido. Tivemos uma longa conversa, nem sei dizer pra vocês quanto tempo, mas sei dizer, que mais uma vez, ele não me decepcionou. Ele me mostrou que eu fiz a escolha mais certa do mundo quando o escolhi pra ser meu companheiro, meu parceiro pra vida. A frase que ele me disse, nunca mais vai sair da minha cabeça: “Meu amor por você vai muito além de um par de peitos. Eu seria o cara mais fdp do mundo se me separasse de você por causa disso. Nós temos uma família linda que não vai se abalar por isso”. Ele tem sido uma fortaleza, tem me posto no eixo, tem sido meu norte. Quando eu quero surtar, ele me põe no colo e me deixa chorar até eu cansar. Nunca um abraço foi tão reconfortante. É fácil você ser parceiro na alegria, na balada, nos momentos felizes. Segurar uma barra dessas não é fácil e ele está sendo o melhor amigo, marido, parceiro, companheiro que eu poderia ter.

Eu sou a pessoa mais positiva do mundo, vocês sabem. Fui atrás de algumas histórias no Instagram, de meninas que passaram pela mesma coisa que estou passando, talvez até pior. E, meu Deus, todo mundo sobrevive! Cicatrizes, tanto físicas quanto emocionais, vão existir pra sempre. Mas vão mudar a minha vida. Eu sempre sofri por antecipação, mas o Fabio tem me ensinado a sofrer por partes. É mais fácil. O desgaste é muito menor. Então, eu precisava desse tempo antes de contar.

Eu não sei o que vem depois da cirurgia, mas sei que, por enquanto, dia 28/12 eu vou nascer de novo. Vou tirar esse CÂNCER – porque sim, eu não tenho medo de falar essa palavra- de dentro de mim.

O que eu posso dizer pra vocês é que o imponderável acontece. E quando ele acontece, você se arrepende de minutos que deixou de passar com um filho, com o pai ou a mãe, com o marido. Você se arrepende de não ter ido na janela ver um pôr-do-sol porque tinha mil coisas pra fazer. Se arrepende das vezes que seu filho te pediu pra ir ao parquinho e você não levou porque estava com preguiça. Se arrepende de ficar horas no telefone ao invés de viver a sua vida real. Se arrepende das vezes que podia ter visitado um amigo e não foi porque achou melhor falar pelo whats app. Se arrepende de um abraço que não deu, de um “eu te amo” que não disse, de um jeito mais ríspido que falou sem necessidade. Eu acho essas, são as primeiras de muitas mudanças na vida de uma pessoa que passa por um susto desses e sai dele. Não é que você vá virar um santo, mas a sua tolerância, sua paciência, seu modo de encarar a vida vão mudar. Não tem como. Só quem passa por isso – e não desejo isso pra ninguém, é que sabe.

Como eu disse pra Ju e pra Bine, eu não vou me “vitimizar”. Essa não é a Debs. Essa não é a Debs que perdeu 15 kg, que acorda todo dia às 5 da manhã animada, que tem alegria de viver. Não quero sentimento de dó, de pena. Quero energias positivas. Eu VOU vencer tudo isso. Uma amiga minha fez uma analogia à Maratona e é bem por aí. Eu talvez, tenha que percorrer um caminho escuro, até chegar lá no fim, onde vai ter uma luz. É como se fossem os treinos pra maratona, grosseiramente falando. O mais difícil é treinar. Chegar lá e fazer é tranquilo. E assim vai ser com essa doença. Eu não venci “n” fantasmas quando corri os 42km? Pois é. Agora vou vencer só mais esse. Posso encarar isso como uma castigo- como fiz nos primeiros dias, não vou mentir- ou como um “presente”.

Vocês podem pensar: Mas que louca! Como encarar um câncer como um presente? É.. Como um presente, como uma oportunidade, um sinal. Um sinal pra me conectar mais ao espiritual. Não é virar uma “carola” de igreja, mas muitas vezes, a gente cuida muito do que está de fora e se esquece do que está dentro. A gente se preocupa tanto com a barriga sarada, o braço definido, a perna com o quadríceps saltando, que se esquece do real motivo pelo qual estamos aqui nesse mundo. Talvez eu já estivesse desconectada meio disso. Pode ser uma oportunidade pra eu ajudar mais as pessoas. Imaginem quantas pessoas dessas 56000 pessoas que me seguem, não passaram, estão passando, tem um parente que está passando ou vão passar por essa mesma situação? Quem sabe eu não possa mostrar, que sim, é FODA (desculpem a palavra), passar por isso, mas que todo mundo, depois de um caminho mais ou menos curto, mais ou menos doloroso, sobrevive…E vive!

Vão ter dias que vou estar mal? Com certeza. Mas isso faz parte dessa vida real. Eu vou tentar levar tudo isso, da forma mais leve possível. Eu entendi que nada acontece por acaso. Quem sabe eu não possa ajudar outras pessoas, assim como fiz como quando emagreci? Quem sabe eu não possa passar uma energia boa pra pessoas que estão na mesma situação? E, nos dias que eu não estiver bem, porque não usar toda a energia do bem que vocês passam a meu favor?

Medo? Tenho todos e mais um pouco que vocês puderem imaginar. Medo da carga que vou passar pra Duda, medo da cirurgia, do que vem depois e de mais “n” outras coisas. Mas eu aprendi, que o medo vai por minha energia pra baixo. Então, quando ele vem, eu digo pra mim bem baixinho: “Você vai vencer”. E vou. Tenho CERTEZA disso.